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Psicanálise e o Social - Violência Emocional: Como ela Ocorre(I)

24/02/2007, 13:34

 

24.02.2007

 

www.yarabelchior.com.br

InfoNet Sergipe: média de no mínimo 40 mil acessos por dia.

Salve, Jorge! - www.salvejorge.com J

 

 

 

 

 

 

Psicanálise e o Social:

 

Visão Própria ou Uma Ampla Visão

 

Yara Belchior com o Escritor e Psicanalista Philippe Julien, 1999: sugiro pesquisar sobre ele: taí uma grande obra, uma grande vida!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde que me entendo por gente, no melhor dizer da palavra, sempre procurei ouvir tudo, ler tudo, observar tudo e fazer, a partir daí, a minha própria palavra, a minha própria ação, o meu próprio meio de ver e agir sobre as coisas:

 

" - Ninguém dirige aquele a quem Deus extravia."

 

Isto, é claro, é fruto de vidas sucessivas, sucessivas vivências que me ensinaram a sempre procurar buscar a minha própria visão, a minha própria palavra, a minha própria forma de ver e viver o mundo, o Universo em todas as suas dimensões.

 

Deus, o Universo, a Vida, no seu infinito amor e infinita bondade, dotou-nos do livre arbítrio. Mas até onde podemos ter livre arbítrio, até onde somos e podemos ser influenciados pelo outro e por tudo o que nos cerca?!

 

Eis aí um grande artigo.

 

Yara Belchior, na UFS: segunda a esquerda, em pé: luta em defesa de todos! No centro o então estudante de Medicina, atual Prefeito de Aracaju Edvaldo Nogueira. (Foto: Arquivo YBS/DCE/UFS)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na Universidade, conhecida como casa do saber, tive e recebi como maior contribuição a possibilidade do pensar alto, pensar amplo, muito além do que nos cerca.

 

As aulas de Filosofia com o Professor Gilton, ainda quase menina, vestindo manequim infantil, ao ponto de ele ter perguntado se não havia trocado a sala do colegial pela da UFS, ainda ali na Rua de Campos, onde hoje é o Ipes.

 

Yara Belchior e Romário Galvão, em movimentos da UFS, 1980. Ao lado o então estudante de Direito, atual Governador de Sergipe, Marcelo Deda. (Foto: Arquivo YBS/DCE/UFS)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A poética literária de Carmelita Pinto Fontes; a Prática de Ensino(II) aprovada por unanimidade com 10 pela Professora e Escritora Hortência, turma de estágio do Aplicação e a Mestra Conceição Ouro Reis Veras; as aulas de Estatística: mas ele era tão sério e circunspecto que me esqueci o nome dele; a liberdade do pensar de Ana Valença; a base de Adélia Pessoa na Introdução ao Direito; o olhar incentivador do Procurador Moacir Mota, que também se manifestava em gestos e palavras ... enfim, são tantos, e ainda sobre todos haverei de escrever, um dia.

 

Até que a Psicanálise nos roubou da condição maior de prosseguir no Direito(não podemos tudo), que é uma grande paixão, por força de uma paixão maior ainda, um amor talvez mais sólido, talvez mais básico, a base de tudo, que é o conhecimento de si mesmo, o vencer dos sintomas, o sou onde não penso ser, o inconsciente.

 

Começei com a primeira turma de Pós-Graduação em Psicanálise da UFS, 1996/1999, coordenada pelo Prof-Doutor Antônio Cardoso Filho, lacaniano. Com o tempo, e depois de muito pensar e bater a cabeça, conclui a Psicanálise como mais ampla, uma larga visão, aquela mesma receita da visão própria, e em tudo, assim. E assim se passou a vida, até aqui.

 

Como estamos sempre vivendo, renascendo, vão aqui, a seguir, algumas palavras iniciais, a cerca da violência emocional: até que ponto o sujeito violentado tem condições de se defender?

 

Até que ponto esta violência não dopa o cidadão na sua tentativa de defesa, de ser o que ele não pensa ser, mas que busca?

 

 

Violência Emocional - Da Mente ao Corpo: uma morte só

 

 

Yara Belchior: recebendo homenagem do então Prefeito de Aracaju, atual Deputado Federal Jackson Barreto, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, das lutas que iniciamos e entidades que ajudamos a fundar, a exemplo do Conselho Municipal da Condição Feminina. (Foto: Arquivo YBS)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Normalmente vincula-se a violência emocional ou psicológica como uma violência contra as mulheres, as crianças, os idosos, os mais indefesos. Mas a violência se manifesta contra todo e qualquer cidadão, ser vivo, meio-ambiente, animais indefesos.

 

A violência emocional tem maior vinculação à mulher, às crianças e aos idosos, por maior dificuldade de defesa física e psicológica, esta última derivada de questões corporais e do pensar "cultural", social; a coisa então se torna mais forte.

 

Digo coisa porque é algo tão complexo, tão inarrável, tão absurdo da violência, do medo, da culpa exagerada, que nada poderá ser movido sem um olhar profundo à todas as formas de dominação cultural(oque é cultura?!), religiosa(o que é religião?!), econômica(o que é economia?!) e de sobrevivência(o que é sobreviver?!) do homem sobre o homem.

 

Reunidos em grupos e organizações as mais diversas, o homem está sempre tentando impor ao outro a sua forma de ser, por razões psicológicas, econômicas, territoriais, políticas e monetárias, e aí a morte se faz, das mais diversas formas, todos os dias.

 

 

Pessoas da Espanha protestam na Praça Catalunya, em Barcelona, contra a agressão aos animais. (Foto: AFP)

Sabemos das violências imensas sobre tudo e sobre todos, principalmente contra as pessoas, o meio-ambiente e os animais; dos atentados, das guerras, das agressões verbais, ambientais, físicas e sexuais, onde conseguem tentar mais humilhar a força e a representatividade do indivíduo perante a sociedade.

 

 

 

 

Sabemos da força da mídia e da internet, onde cidadãos desqualificados disseminam o ódio e a violência através de palavras, vírus, artigos, fotos e até de e-mails, que representam em si cartas de agressões, tentativas de intimidação.

 

Tudo muito livre até então na Internet, mas que pode muito bem ser melhor investigado por uma polícia cidadã e competente, que detenha os desequilibrados e criminosos virtuais na tentativa e ações diversas de agressão ao outro, investigando os Ip´s. E em tudo isto aí entra a violência emocional, psicológica, normalmente com danos caros ao agredido.

 

 

Violência Emocional: A mais cruel

 

A violência emocional é talvez a mais cruel forma de destruição do outro, considerando-se que através de atos, palavras e omissões se move o mundo: tudo é energia, e com as palavras, dotadas de significantes e significados, isto é fundamental que se observe.

 

Talvez ainda pouco observada, a violência emocional é, contudo, cruel, por deixar marcas em locais que poucos podem ver, mas especialistas podem observar: a mente, o cérebro, a vida da pessoa, a própria pessoa em si, ser dimensional e amplo, o inconsciente, o sou onde não penso ser.

 

E lá estão todas as marcas, todas as cicatrizes, que na grande maioria dos casos só paulatinas e bem direcionadas regressões e progressões de memórias conseguem equilibrar, cicatrizar, remover através de cirurgias psíquicas.

 

O caso é tão sério, das vidas e/ou vivências passadas, que aí não se inclui a priori investigação científica e/ou estatística sobre a veracidade deste ou daquele fato narrado: como na Psicanálise, no inconsciente, o cidadão é aquilo que ele pensa ser, ou que não pensa, mas vai descobrindo.

 

Kola Boof, Escritora, veiculada na Internet como ex-escrava sexual de Osama Bin Laden.

E o que pode ser ou vir a ser uma vítima de violência emocional e psicológica?

 

Muito além do jardim do corpo, formado por caule, pétalas e espinhos - a exemplo do que escrevi certa vez(A Rosa é Você) - a violência emocional age sobre o ser maior do cidadão, o seu espírito, a sua alma, que dão vida ao cérebro, ao corpo físico e períspirito, corpo espiritual, cópia do físico mas com condições de ser modificado pelo própria pessoa, pelo espírito, pelo que se poderia chamar de cérebro espiritual.

 

 

 

 

É na violência espiritual que a violência é maior, por subverter as condições de defesa da pessoa uma vez que violentada, ela entra em uma espécie de "hipnose", de certa dominação pelo outro que a faz esquecer de si, da sua auto-estima, do que realmente é.

 

Inclusive isto ocorre muitas vezes em casos de sequestro e de violência pessoal doméstica e de trabalho, inclusive de pais para filhos, de filhos para pais, de "chefes" para subordinados.

 

No caso das crianças e dos idosos a violência é ainda mais grave: os primeiros porque estão em formação; os segundos porque estão em reta final do corpo físico, que inclui também a mente e o corpo espiritual, períspirito, só renováveis na volta a segunda dimensão, espiritual, considerando-se que estamos aqui e agora, sendo esta talvez, portanto, a primeira.

 

Digo talvez porque houve um longo tempo no qual vivi mais na dimensão espiritual, precisando de algumas regressões e análises para entender que estou aqui e agora, e nesta dimensão devo procurar interagir um pouco e observar as suas leis, regras, ações, pessoas, tentando falar um pouco a linguagem que elas entendem.

 

O que são as pessoas? É certo que isto é uma longa viagem. Mas é certo que tenho que parar aqui e agora para dizer que não podemos tentar destruir pessoas, por conta das nossas agressividades e impulsos reprimidos, numa linguagem mais ampla para que melhor me faça entender.

 

Muitos, contudo, mesmo sem conseguir ser o que desejam no inconsciente, não se valem de tentativas desleais, "de má fé", como consegui ouvir certa vez, para atingir o outro. Muitos que vi, que não desejaram ou não quiseram atender aos seus mais íntimos desejos, revelaram-se contudo pessoas nobres, dignas, cidadãs, tratando o outro com a melhor das intenções, e respeitando em si e no outro, na sociedade, nas comunidades, os seus limites.

 

Este é de fato um grande artigo, uma grande viagem, que talvez dê para resumir e estruturar melhor um pouco, depois, mas me despeço temporariamente dizendo: a violência emocional é terrível, talvez a maior de todas, por abrir bases seguras de indefensibilidade para outras, notáveis.

 

 

Violência Psicológica

Ela ocorre através da:

 

 

" - Rejeição de carinho, ameaças de espancamento à mulher e seus filhos, impedimentos à mulher de trabalhar, ter amizades ou sair; por sua vez, o parceiro lhe conta suas aventuras amorosas e, ao mesmo tempo, a acusa de ter amantes.

 

Uma pesquisa realizada no Chile identificou que existem diversas manifestações da violência psicológica e o autor(16) assim as classificou:

 

- Abuso verbal: rebaixar, insultar, ridicularizar, humilhar, utilizar jogos mentais e ironias para confundir;

- Intimidação: assustar com olhares, gestos ou gritos, jogar objetos ou destroçar a propriedade;

- Ameaças: de ferir, matar, suicidar-se, levar consigo as crianças;

- Isolamento: controle abusivo da vida do outro por meio da vigilância de seus atos e movimentos, escuta de suas conversações, impedimento de cultivar amizades;

- Desprezo: tratar o outro como inferior, tomar as decisões importantes sem consultar o outro;

- Abuso econômico: controle abusivo das finanças, impor recompensas ou castigos monetários, impedir a mulher de trabalhar embora seja necessário para a manutenção da família.

 

É importante destacar que as vítimas de violência psicológica, muitas vezes, pensam que o que lhes acontece não é suficientemente grave e importante para decidir-se por atitudes que possam impedir esses atos, incluindo denunciá-los aos órgãos competentes.

 

Algumas vítimas acreditam que não teriam crédito, caso denunciassem seu agressor. Em outros casos, alguém que a mulher respeita lhe diz que deve permanecer nessa relação abusiva pelo bem de seus filhos ou para garantir os direitos adquiridos através do casamento(16).

 

Muitas mulheres não se atrevem a falar ou denunciar que são vítimas de maltratos, por temor das ameaças do agressor contra elas e seus familiares.

 

Muitas manifestações indiretas de violência compõem os chamados "atos destrutivos" que são formas de agressão ou pressão psicológica usadas pelo homem em um relacionamento conflitante as quais impossibilitam a livre circulação da mulher", destacam Letícia Casique Casique e Antonia Regina Ferreira Furegato em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692006000600018&lng=pt&nrm=&tlng=pt .

 

 

Assim, por estas e tantas outras é que podemos afirmar que a violência emocional ou psicológica é uma morte só, da mente ao corpo, considerando-se que a pessoa perde a auto-estima, o poder sobre si mesma, em decorrência do medo, do flagelo, da intimidação, sofrendo as mais danosas consequências, extensivas à família.

 

 

Consequências da Violência

 

" - Físicas: lesões abdominais, torácicas, contusões, edemas e hematomas, síndrome de dor crônica, invalidez, fibromialgias, fraturas, distúrbios gastrintestinais, cefaléias, dor abdominal, síndrome de intestino irritável, queimaduras, lacerações e escoriações, dano ocular, funcionamento físico reduzido, fadiga crônica, mudanças bruscas de peso.


- Sexuais e reprodutivas: distúrbios ginecológicos, fluxo vaginal persistente, sangramento genital, infertilidade, doença inflamatória pélvica crônica, complicações na gravidez, aborto espontâneo, disfunção sexual, doenças sexualmente transmissíveis, inclusive HIV/AIDS, aborto sem segurança, gravidez indesejada, retardo no desenvolvimento intra-uterino, morte fetal e materna.


- Psicológicas e comportamentais: abuso de álcool e drogas, depressão, ansiedade, distúrbios da alimentação e do sono, sentimentos de vergonha e culpa, fobias e síndrome de pânico, inatividade física, baixa auto-estima, distúrbios de estresse pós-traumático, tabagismo, comportamentos suicidas e autoflagelo, comportamento sexual inseguro.

 

A violência contra a mulher, especialmente por parte de seu parceiro, é uma carga que se apresenta para os serviços de saúde em função dos custos que gera.

 

Esta violência não só causa danos físicos e psicológicos às mulheres, mas também, implica riscos para seus filhos.

 

Presenciando a violência dentro da família, incrementa-se nas crianças as probabilidades de sofrer depressão, ansiedade, transtornos de conduta e atrasos no seu desenvolvimento cognitivo.

 

Além do mais, aumenta o risco de se converterem, por sua vez, em vítimas de maltrato ou futuros agressores", enumeram Letícia Casique Casique e Antonia Regina Ferreira Furegato em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692006000600018&lng=pt&nrm=&tlng=pt .

 

É esta a mensagem que posso dar hoje, e espero seja útil a muitos cidadãos: homens, mulheres, crianças, idosos e pessoas em busca de si mesmas e de um mundo melhor.

 

Infelizmente, denunciar é preciso!

 

Abraço de

Yara Belchior (www.yarabelchior.com.br / www.salvejorge.com)

 

 

 

 

 

 

 

 

Reflexão

 

 

 

" - Ninguém dirige aquele a quem Deus extravia."

 

 

" - Hosana! eis chegado o macho! Narciso! sempre remoto e frágil, rebento do anarquismo." (Raduan Nassar, in "Um Copo de Cólera").

 

 

 

 

 

 

 

 

Salve, Jorge!

 

 

 

 

Que São Jorge Guerreiro, todos os Orixás e Espíritos de luzes continuem nos protegendo e abrindo os nossos caminhos hoje e sempre, Amém.

 

 

 

 

Yara Belchior é Jornalista-Colunista; Bacharela em Letras-Português(UFS); Pós-Graduação na primeira turma de Psicanálise(UFS), 1999; Iridologia/AMI; Entre as Colunas que assinou está a “Ponto de Vista”, da Revista Veja.

 

 

 

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