Direito e Cinema: O Crime do Século
25/07/2006,
18:24
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Salve, Jorge!
Direito e Cinema
O Crime do Século
Crime of the Century
Dignidade
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| Bruno Richard Hauptman: exemplo de dignidade. |
Um homem prefere ir para a cadeira elétrica, perder vida terrena, mulher e filho pequeno, lindo, do que assumir uma culpa que de fato não era sua, de um crime que não cometeu. Afinal, como poderia viver depois?!
A história foi real e revela o quanto de mentira, hipocrisia, discriminação, malversação e indignidade ainda existe no mundo, notadamente por parte de autoridades que deveriam dar melhor exemplo.
Bruno Richard Hauptman, simples Carpinteiro, imigrante alemão, é a personagem real e principal do fato, relatado no filme, que trata do seqüestro e morte de uma criança, em 1936, EUA.
A posição que Bruno Richard Hauptman assumiu, de desencarnar drasticamente numa cadeira elétrica, foi mais do que por sua dignidade, respeito e compromisso consigo mesmo. Foi de compromisso com a humanidade. É o que também pensamos.
Discriminação
Não podemos permitir que tanta mentira, injustiça, discriminações e hipocrisias continuem rondando o mundo, poluindo o Universo, com insanidades do Planeta Terra, que bem poderia ser um paraíso, integral.
Mas a cada árvore que tentamos plantar recebemos de volta o machado, maculando a sua seiva, vida e luz, e então percebemos que muitas vezes só nos resta o caminho da luta em busca do respeito, consideração e dignidade tão almejados por alguns.
O Poder Acaba
O resultado pode não ser para amanhã, é bem verdade. Mas Roma não se fez em um dia, no entanto, quanto tempo passou para ser destruída?!
É bom refletir, eis a grande questão. Ninguém pense que o poder terreno é eterno, que pode prosseguir impune, cometendo indignidades e massacrando o outro por considerar menor, sem observar o que reza a Constituição e as leis espirituais, de causa e efeito da vida.
Poder Real
O grande e real poder é o espiritual, da dignidade própria, da consciência limpa. Este ninguém pode nos tirar. Seize the day, ou, aproveite o dia!
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Sinopse do Filme
O Crime do Século
Crime of the Century
“Em 20 de maio de 1927, o norte-americano Charles Lindbherg cruzou o Atlântico em um avião monomotor, naquela que foi considerada a maior aventura da primeira metade do século.
“Por sua bravura o jovem piloto tornou-se herói nacional, ícone de toda uma geração de jovens americanos, sendo até hoje reverenciado por seu prodígio.
“Mas o fato mais marcante de sua atribulada vida não foi exatamente o ato heróico que o tornou famoso ou a posterior acusação de traição quando foi condecorado pelo Governo Nazista, mas uma tragédia de proporções históricas que sobre ele abateu-se: o seqüestro e morte de seu filho menor de 02 anos de idade.
“É disso que trata o filme O Crime do Século (Crime of the Century).
“Cinco anos após a extraordinária façanha de cruzar sozinho o oceano Atlântico, o filho de Charles Lindbherg foi seqüestrado de sua residência em Louisiana. Este é o ponto de partida do filme naquele que se tornou o mais rumoroso julgamento do século naquele País.
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| Bruno Richard Hauptman: da cela para a cadeira elétrica, injustamente. |
“Bruno Richard Hauptman, simples carpinteiro imigrante alemão, é a personagem principal do drama relatado no filme.
“De forma surpreendentemente acidental Hauptman vê-se envolvido no seqüestro do bebê Lindbherg e a partir daí desenvolve-se toda a trama caracterizada pelo confronto entre a angústia de um homem em sua luta para provar inocência e a comoção de toda uma Nação na ânsia para encontrar e punir os responsáveis pelo crime.
“O filme mostra com clareza a condução do processo pelo Promotor de Justiça, David Wilentz, que inicialmente investigativo passa a tomar contornos de verdadeira armadilha para a imputação de culpa a Hauptman que jura inocência desde o início.
“A manipulação das provas materiais contra Hauptman (exame grafotécnico e pericial de objeto do crime) aliada à condução das provas testemunhais levam ao que seria o erro judiciário do século naquele País.
“Um dado curioso do filme e que acaba tornando-se seu clímax é a cena da sessão de interrogatório de Hauptman com as perguntas feitas pelo Promotor Wilentz.
“Seja pelas perguntas e respostas, seja pelo comportamento do Acusador e do Réu, trata-se de uma reprodução fiel do verdadeiro evento, já que todo o julgamento foi documentado em filmes da época.
“Diante das câmeras o Promotor Wilentz agride ferozmente Hauptman e de forma ardilosa envolve o Réu em contradições para fundamentar sua culpa.
Enfoque Jurídico
”O filme torna-se emblemático por vários aspectos jurídicos que envolvem o caso mas talvez o mais importante seja a influência que a paixão nacional pode exercer sobre um julgamento de relevo.
“A pressão exercida sobre os órgãos de apuração, acusação e julgamento pode acabar provocando o desrespeito aos mais basilares princípios de Direito e a conseqüente ruína da concretização da Justiça.
“Curiosamenete foi a partir desse julgamento que as Cortes dos Estados Unidos passaram a proibir a realização de filmagem ou transmissão televisiva de sessões de julgamento, limitando-se a mostra de imagens curtas e sem áudio e, em certos casos, apenas a tradicional gravura a lápis.
“Outro aspecto jurídico muito interessante é a utilização exasperada de instituto de contornos medievais: o plea guilty.
“A cada ponto do filme ao Acusado é oferecida proposta de confissão de culpa que a todo custo é negada.
“Mesmo após sua condenação à pena de morte ao Condenado é colocada a possibilidade de comutação de sua pena em prisão perpétua sob a condição de confissão de culpa, ao que recusou-se o Condenado até o momento de sua morte.
“O grande questionamento que se coloca é o contorno ético de tal instituto no processo criminal e conseqüentemente a relevância da confissão do réu.
“Enfim, a cada ponto do filme o espectador é colocado diante do dilema entre a busca de uma Justiça justa ou uma conveniente à sociedade.
“Nesse parâmetro o espectador acaba tendo contato com os operadores do Direito retratados no filme, sua formação ética, seus propósitos e a que ponto podem chegar para justificarem seus ofícios.
“Sob todos esses aspectos o filme Crime do Século torna-se passagem obrigatória a todos que, como nós, optamos pela busca de um ideal de Justiça ética e justa”. (Por Alexandre Sales de Paula e Souza, Promotor de Justiça do Distrito Federal, in http://www.geocities.com/capitolhill/lobby/1647/Filmes/filme08.htm )
Frase
“O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.”(Mário Quintana, 1906-1994, Poeta e Escritor)
Salve, Jorge!
Que São Jorge Guerreiro, todos os Orixás e Espíritos de luzes continuem nos protegendo e abrindo os nossos caminhos hoje e sempre, Amém.
* Yara Belchior é Jornalista-Colunista; Bacharela em Letras-Português/UFS, com Pós-Graduação em Psicanálise/UFS; Iridologia/AMI. Entre as Colunas que assinou está a "Ponto de Vista", da Revista Veja.
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